A estrutura do tecido: o que quase ninguém conta no patchwork
- amandopatchwork
- 26 de jan.
- 3 min de leitura
Quando eu comecei no patchwork, uma das coisas que mais me encantou foi o mundo dos tecidos.Cada textura, cada estampa… cada cor.Tudo parecia ter um jeito próprio de se comportar.
Com o tempo, eu percebi que não era só impressão.O tecido realmente tem uma estrutura.E quando a gente entende como ele nasceu, tudo muda.
Porque antes de cortar, costurar ou escolher uma estampa bonita, existe um detalhe fundamental:como os fios se entrelaçam.
Urdume, trama e o nascimento do tecido
Todo tecido é feito do encontro de dois fios.
O urdume é o fio que corre no comprimento do tecido.Ele é mais firme, mais estável, quase não cede.
A trama corre na largura.Ela acompanha o tecido, cede um pouquinho mais, responde ao toque.
Quando a gente aprende a identificar esses dois sentidos, começa a costurar com mais segurança.Os blocos ficam mais firmes, mais regulares, mais confiáveis. E tem também a diagonal, que é o ponto onde o tecido mais estica.Ela não é vilã — mas precisa ser respeitada.
A ourela: a borda que conta histórias
A ourela é esse acabamento lateral do tecido.Ela impede o desfiado e mostra de onde aquele tecido veio. É ali que estão os nomes, as cores, às vezes até o país de origem.Eu gosto de olhar para a ourela como quem lê a assinatura do tecido. Ela também é uma grande aliada para identificar o fio e alinhar o primeiro corte.
Pequenos testes que evitam grandes frustrações
Um dos testes mais simples que eu faço no ateliê é puxar o tecido em sentidos diferentes. No urdume, ele quase não se move.Na trama, ele estica um pouquinho.
Esse gesto simples evita blocos tortos, peças que deformam e projetos que perdem a forma depois da lavagem.
Patchwork também é isso:prevenir antes de consertar.
Lavagem, encolhimento e escolhas conscientes
Durante muito tempo, eu deixava o tecido de molho, dobrado como vinha da loja.Era uma forma de entender como ele se comportava. Hoje, eu prefiro outro método. Eu alinho o tecido pelo fio do urdume, faço um zigue-zague nas laterais para não desfiar e lavo na máquina.Depois seco na secadora. Assim, ele encolhe tudo o que precisa encolher antes de virar projeto.Isso evita surpresas quando a peça já está pronta.
O primeiro corte é uma decisão importante
Para o primeiro corte, eu sempre procuro alinhar o tecido.Às vezes a gente perde alguns centímetros.Mas ganha algo muito mais valioso lá na frente: um bloco perfeito.
Já aconteceu de eu encontrar tecidos até quatro centímetros fora do fio.Por isso, na hora de comprar, eu sempre recomendo levar um pouquinho a mais — dez, quinze centímetros.
Essa é a nossa reserva de segurança.
Estampas também têm voz
No patchwork, as estampas fazem toda a diferença.
Os florais trazem suavidade e movimento.Os batiks criam profundidade, quase como uma aquarela.Os natalinos iluminam a peça, mas pedem atenção ao sentido do desenho.Os tom sobre tom equilibram e sustentam a harmonia.E os temáticos contam histórias — transformam uma peça simples em algo afetivo. Cada tecido fala.Cabe a nós escutar.
Patchwork é liberdade
O mais bonito do patchwork é isso:a liberdade de combinar, experimentar, sentir cada tecido entre os dedos. No fundo, não existe certo ou errado.Existe o que faz sentido para você.
Porque no patchwork, o que importa é o cuidado, o tempo, o gesto…e a alegria de ver uma peça nascer das tuas mãos.








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